Santa Josefina Bakhita é um dos testemunhos mais comoventes de como a graça de Deus pode transformar dor em redenção, sofrimento em esperança e escravidão em verdadeira liberdade. Sua vida é um poderoso sinal do amor de Deus pelos pequenos, pelos feridos e pelos esquecidos do mundo.
Uma infância marcada pela dor
Josefina Bakhita nasceu por volta de 1869, no Sudão, na África. Ainda criança, foi sequestrada por traficantes de escravos. O trauma foi tão grande que ela esqueceu seu próprio nome; por isso, seus captores passaram a chamá-la “Bakhita”, que significa “afortunada” — um nome paradoxal diante de tantos sofrimentos.
Durante anos, Bakhita foi vendida e revendida, submetida a castigos cruéis, humilhações e marcas profundas no corpo e na alma. Ela mesma contava que chegou a ser marcada com dezenas de cicatrizes provocadas por cortes e sal. Humanamente falando, sua história parecia condenada à tristeza.
O encontro com um novo Senhor
Tudo começou a mudar quando Bakhita foi comprada por um cônsul italiano e levada para a Itália. Ali, pela primeira vez, foi tratada com mais dignidade. Mais tarde, ao conviver com uma família cristã, conheceu o Evangelho e ouviu falar de um Deus que não escraviza, mas ama; que não castiga, mas se entrega por amor.
Ao conhecer Jesus Cristo, Bakhita entendeu que Ele era o verdadeiro “Patrão” a quem sempre procurara, Aquele que a conhecia pelo nome e jamais a abandonara, mesmo nos momentos mais sombrios de sua vida.
Liberdade, fé e vida consagrada
Em 1889, a justiça italiana declarou que a escravidão não tinha validade legal, e Josefina foi finalmente reconhecida como uma mulher livre. Livre diante da lei e, sobretudo, livre no coração.
Batizada em 1890, recebeu o nome de Josefina Margarida Fortunata. Mais tarde, entrou para a Congregação das Irmãs Canossianas, onde viveu com simplicidade, humildade e profunda fé. Mesmo sofrendo dores físicas até o fim da vida, era conhecida por seu sorriso sereno e sua constante gratidão.
Uma santa do perdão e da esperança
Santa Josefina Bakhita faleceu em 1947. Foi canonizada por São João Paulo II no ano 2000, que a apresentou ao mundo como um símbolo de esperança, reconciliação e defesa da dignidade humana. Hoje, ela é considerada padroeira dos que sofrem com o tráfico humano, a escravidão moderna e a opressão.
Sua vida nos ensina que nenhuma dor é maior que o amor de Deus e que o perdão é uma força capaz de curar até as feridas mais profundas.
Oração a Santa Josefina Bakhita
Santa Josefina Bakhita,
mulher marcada pela dor,
mas transformada pelo amor de Deus,
ensina-nos a confiar mesmo nas noites mais escuras.
Intercede por todos os que vivem oprimidos,
pelos que sofrem com a violência,
pela escravidão moderna, pelo abandono e pela injustiça.
Ajuda-nos a reconhecer a dignidade de cada ser humano
e a viver a verdadeira liberdade
que nasce do encontro com Cristo.
Que, a teu exemplo, saibamos perdoar,
amar sem reservas
e entregar nossa vida nas mãos do Pai.
Santa Josefina Bakhita,
rogai por nós.
Amém.

