É Certo a Venda de Bebidas Alcoólicas nas Festas da Igreja?

É Certo a Venda de Bebidas Alcoólicas nas Festas da Igreja?

Em muitas paróquias, as festas religiosas, frequentemente associadas à celebração e à união da comunidade, incluem a venda de bebidas alcoólicas. No entanto, à luz dos ensinamentos da Igreja Católica, da Bíblia e da medicina, devemos nos questionar se essa prática é realmente compatível com os princípios cristãos e com o chamado à santidade. Este artigo busca refletir sobre as consequências espirituais e morais do álcool e por que a venda de bebidas alcoólicas nas festas da Igreja deve ser evitada.

1. O Ensinamento da Bíblia: O Perigo do Álcool

Embora a Bíblia não condene o vinho em si, ela é clara sobre os perigos do consumo do álcool. O abuso de bebidas alcoólicas é um vício que desvia as pessoas do caminho da virtude e da verdadeira alegria cristã. No livro de Provérbios, a sabedoria de Deus nos adverte:

“O vinho é escarnecedor, a bebida forte é alvoroçadora; todo aquele que por elas é vencido não é sábio” (Provérbios 20:1).

O apóstolo São Paulo também é enfático em sua Carta aos Efésios, alertando os cristãos contra a embriaguez:

“Não vos embriagueis com o vinho, no qual há dissolução; mas sede cheios do Espírito” (Efésios 5:18).

Essas passagens não apenas condenam a embriaguez, mas também nos alertam para os riscos que o consumo de álcool traz ao ser humano. Mesmo um uso “moderado” pode abrir portas para o pecado e o distanciamento da verdadeira vida em Cristo. O álcool, mesmo em pequenas quantidades, tem o potencial de minar a capacidade de discernir o bem do mal e de viver conforme o Evangelho.

2. O Catecismo da Igreja Católica: A Embriaguez é um Pecado Grave

O Catecismo da Igreja Católica ensina que a embriaguez é uma ofensa grave, pois impede o fiel de viver conforme a sua vocação divina. No artigo 2290, lemos:

“O uso de bebidas alcoólicas, como de outros bens criados, deve ser moderado. A embriaguez é uma ofensa grave. Ela despoja a pessoa de sua dignidade, fazendo-a perder o controle de si mesma e prejudicando a capacidade de tomar decisões justas.”

A Igreja, portanto, não apenas desaprova o abuso do álcool, mas também nos alerta para os riscos de qualquer envolvimento com substâncias que nos desvia do estado de sobriedade necessária para seguir o caminho da santidade. O álcool, por mais inocente que pareça, pode facilmente se transformar em um obstáculo espiritual, afastando-nos do verdadeiro objetivo da nossa vida cristã: a união com Deus.

3. O Testemunho dos Santos: A Pureza e Sobriedade Cristã

Os santos sempre pregaram o autocontrole e a pureza moral como virtudes essenciais para o cristão. São João Crisóstomo, um dos grandes doutores da Igreja, advertiu contra o consumo desmedido de vinho, dizendo:

“A bebida deve ser usada com sabedoria, não para nos embriagar e perdermos o nosso bom senso. O álcool pode corromper nossa alma.”

São Tomás de Aquino também abordou o tema, ensinando que, embora o vinho seja um presente de Deus, o abuso dele deve ser evitado, pois a embriaguez enfraquece o nosso espírito e a nossa capacidade de viver em conformidade com a vontade divina.

Portanto, o exemplo dos santos nos exorta a viver de forma sóbria e moderada, rejeitando qualquer comportamento que possa afastar-nos da verdadeira alegria e da paz de Cristo.

4. A Doutrina Social da Igreja: O Perigo de Promover o Álcool

Dentro da Doutrina Social da Igreja, há uma ênfase na responsabilidade da comunidade cristã de criar ambientes que favoreçam a virtude e a santidade. A venda de bebidas alcoólicas em festas paroquiais pode ser vista como uma prática incompatível com esse ideal. A Igreja é chamada a ser um modelo de pureza e sobriedade, e não um lugar que contribua para a propagação de vícios. Além disso, a venda de álcool em eventos pode se tornar um obstáculo para muitas pessoas em sua luta contra o vício, e para aquelas que tentam viver em abstinência, oferecendo-lhes uma tentação desnecessária.

O Papa Francisco, em diversas ocasiões, tem nos lembrado que o verdadeiro significado das celebrações cristãs não está nos prazeres momentâneos e passageiros, mas na comunhão com Deus e com os irmãos. Ele disse:

“A verdadeira alegria não está no consumo de coisas materiais, mas na partilha e na fraternidade. Não podemos substituir a graça de Deus com o prazer momentâneo de uma bebida que pode nos desviar do caminho da santidade.”

5. A Medicina e os Perigos do Álcool

Além dos ensinamentos espirituais e morais, a medicina moderna tem alertado para os danos físicos e psicológicos causados pelo álcool. O abuso da bebida está relacionado a diversas doenças graves, como cirrose hepática, transtornos cardíacos e neurológicos. Além disso, o álcool afeta diretamente a capacidade de julgamento, tornando as pessoas mais suscetíveis a comportamentos destrutivos.

Estudos médicos apontam que o consumo regular de álcool pode levar à dependência, o que compromete a liberdade e o autocontrole, virtudes essenciais à vida cristã. O álcool, mesmo em doses menores, pode se tornar um obstáculo para o fiel que busca viver em santidade e resistir às tentações do mundo.

6. A Responsabilidade da Igreja: Promover a Vida Cristã e Não o Vício

Como instituição que tem como missão levar os fiéis a Cristo, a Igreja deve ser um modelo de virtude, cuidando para que suas festas e eventos não incentivem práticas que possam afastar o fiel de Deus. A venda de bebidas alcoólicas nas festas paroquiais pode, mesmo que sem intenção, promover um ambiente de descontrole e pecado. A Igreja é chamada a proporcionar aos fiéis uma experiência de verdadeira alegria, que vem de uma vida de oração, fraternidade e santidade, e não de prazeres efêmeros.

Conclusão: A Evitação do Álcool nas Festas da Igreja

A venda de bebidas alcoólicas nas festas da Igreja não está em conformidade com os ensinamentos católicos e pode ser vista como uma prática que desvia os fiéis do caminho da santidade. A Igreja, como testemunha da verdade e da pureza, deve evitar qualquer ação que possa incentivar o vício e a embriaguez. As festas da Igreja devem ser uma oportunidade para fortalecer a fé, promover a fraternidade e a santidade, não para satisfazer prazeres temporais que podem nos afastar de Deus.

O consumo de álcool, mesmo moderado, deve ser evitado, pois ele representa uma forma de busca por prazer que não está em harmonia com a verdadeira alegria que Deus deseja para nós. Em vez disso, que nossas festas sejam momentos de verdadeira comunhão com Cristo e com a comunidade, longe dos perigos que o álcool pode trazer.

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